quinta-feira, 22 de junho de 2006

Contratempo

Descobri essa menina, nem sei bem como.
Já faz um tempo que salvei o endereço do blog pra ler quando tivesse tempo suficiente...só que esse tempo nunca chegava.
Hoje, eu voltei lá, com cuidado, e achei isso:


Acontece

- Ei, você. Acorda. Há tanto o que entender! (sacudindo seu ombro).

- Me esquece. Não quero saber (emburrado, olhos fundos, se enrrola de novo).

- Mas eu preciso tanto te ouvir. Explicar, esquecer. Sozinhos não podemos, você sabe, não podemos viver (os olhos úmidos).

-E quem disse que eu quero? Que vale a pena? Se quando eu acerto o compasso você perde a dança, tenta teorizar os passos e não me aquece? Não quero, esquece.

-Mas eu posso tentar mais uma vez? Apenas uma, quem sabe agora eu tenha entendido o ritmo, talvez não haja tantos porquês. Deixarei que você me conduza e serei mais leve, tentarei florir mais graça e terei telas cheias de dentes - e sorrisos.

-E você consegue? Quantas vezes, e cada vez que muda o tom você perde o passo, você pàra e fica olhando seus pés, tentando entender se foram os saltos, ao invés de se concentrar e voltar à dança, à festa, ao frisson.-É, talvez eu não saiba como. Mas preciso de você (estende as mãos).

-A verdade é que acostumei aos seus tropeços (segura-lhe as mãos).

Olham-se demoradamente. Porque o coração tem razões que a própria razão desconhece.

O nome dela é Rayanne: passem lá!