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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Conversa de almoço dos meus moços

Um pouco antes de almoçar, a gente tem essa coisa de sentar todo mundo na sala e ficar falando bobagem. Tomando um suco, falando besteira...diz meu marido que é o treinamento de boteco dos meninos. Eu prefiro que seja só um papo-furado, só um jeito gostoso de esperar a comida, morrendo de fome e engabelando o mau-humor decorrente.
Agorinha, deu-se essa...
Caio: Mãe, a coisa que eu mais queria era andar num ‘esquimó’!

Eu: O quê, Caio?

Caio: Num esquimó, mãe. Aquele carrinho puxado pelos lobinhos, no gelo.

Eu: Meu filho, esquimó é o homem que mora lááá pros lados da Groelândia, no Pólo Norte...

Caio: Dããããrrrr, mãe...quem mora no Pólo Norte se chama Papai Noel. E ele existe e é uma coisa de Deus. Num é que nem o Grintch.

Victor: Credo, Caio! Que burrice! Você quer andar de trenó, pirralho! E sabia que os esquimós matam as baleias pra tirar o óleo delas? E que a casa deles é toda feita de gelo, pirralho?

Caio: Claaaaro que eu sabia dessas coisas todas. E num me chama de pirralho que eu já tenho namorada e você não tem.

Victor & Eu: NAMORADAAA?

Caio: É...é a Ingrid. Ela é linda, muito legal, dança ballet, mas a gente namora escondido porque as amigas dela me odeiam. Mas a gente vai casar e ter três filhinhos.
(pausa tensa e eu com os olhos esbugalhados, óbviamente!)

Calma...é depois, mãe, depois.
Não hoje, tá bom?

terça-feira, 17 de abril de 2007

ELAS DIZEM NÃO

Meu pai, encantado com a histária de amor de meu filho caçula, Caio, resolveu me presentear com isso.

Vê se eu posso com esses dois...





Meu neto Caio, 5 anos, está fascinado pela Ingrid, uma moreninha trigueira, fita vermelha no rabo-de-cavalo, sua colega no Jardim da Infância. "Ela é a mais bonita da escola. E a mais interessante, também, meu avô" - disse-me ele num tom em que eu pressinti algo como "não é pro meu bico". Sem querer levar adiante uma precocidade já existente, cheguei devagar ao terreiro, interessado apenas em levantar o astral dele. "Vocês brincam de que no recreio?". A resposta veio carregada de uma evidente desilusão: "Ela não brinca com os homens, só com as mulheres".



O motivo dessa gravíssima discriminação de gênero, segundo a própria musa, foi um colega que sentava atrás dela no ano passado, e ficava o tempo inteiro cutucando a nuca da bela ou puxando-lhe os cachos cor de mel. E Caio concluiu: "Ela agora acha que todos os homens só servem pra chatear, igual àquele pentelho".



Eu então garanti que o caso estava resolvido, mole, mole. Bastava demonstrar a Ingrid que ele era diferente, feito de outro barro, queria se divertir junto com ela, e não contra ela. Aí percebi na resposta que o meu neto já começa a pagar o tributo que nos é cobrado por afastar os véus do universo feminino. "Só que eu tenho vergonha, vô", disse ele em confissão, com os olhos baixos. "Vergonha de que, meu filho?" - reagi, para animá-lo - "Ela vai adorar lhe conhecer, brincar com você, conversar com um cara inteligente, alegre, bonito, legal pacas, como você é".


Ele finalizou forte, certeiro e no canto, sem defesa pro goleiro: "Já tentei uma vez... Fui lá no parquinho e pedi: por favor, Ingrid, posso brincar com você? E ela disse: não, homem não brinca com a gente". Ferido pela primeira rejeição, Caio deu o tiro de misericórdia em meu otimismo inútil: "Esse, meu avô, é o grande problema das mulheres".